1- A CONSTRUÇÃO DA POLÍTICA DA CHINA
Há aproximadamente 30 anos, as previsões indicavam que, se mantido o ritmo em que se encontrava, a China seria a grande potência econômica do século XXI. Atualmente, o país é a segunda maior economia mundial e, se as novas projeções forem comprovadas, o gigante asiático deverá assumir a dianteira muito em breve, nos primos dois anos.
Sua performance não deixa dúvidas: nenhum país cresceu tanto, mesmo em tempos de crise. Para melhor entender o caminho percorrido pelo "dragão asiático", faz-se necessário focar três momentos decisivos que perpassaram pelo país no século XX: o jugo colonial, a Revolução Chinesa e as reformas econômicas de 1978.
O JUGO COLONIAL E A REVOLUÇÃO CHINESA
O Reino Unido e o Japão subjugaram a China entre o final do século XIX e início do século XX. Os japoneses iniciaram a investida imperialista no Oriente e ocuparam parte da China em 1895. Já os britânicos, desde a primeira Guerra do Ópio (1839-1842), declararam guerra aos chineses por impedirem o negócio da droga comercializada por eles. O resultado foi a vitória britânica que, entre outras reparações de guerra impostas à china, se apropriaram de Hong Kong por meio do Tratado de Nanquim, em 1842.
Contra a dominação estrangeira explodiu, 1899 e 1901, forte levante populacional: a Revolução dos Boxers. O movimento foi reprimido com êxito por britânicos e japoneses, que em nada julgavam útil aos seus interesses a rebelião camponesa. Uma outra resistência chinesa surgiria em 1900, quando nacionalistas fundaram o Koumitang (Partido Nacionalista), liderado pelo médico Sun Yat-Sen. O partido combatia não somente a dinastia imperial, mas também a presença estrangeira, criando uma república, em 1912, regime que não foi reconhecido pelas forças de ocupação britânica e japonesa.
Pouco mais tarde, uma nova frente de resistência surgiria: em 1921, foi fundado o Partido Comunista Chinês, o PCCh. Ascendia entre as fileiras comunistas a imagem do líder, Mao Tsé-Tung.
Além da dominação estrangeira, a China experimentava um momento de instabilidade interna, caracterizada pelas relações incertas entre nacionalistas e comunistas, ora aliado contra o invasor, ora em confronto entre si.
Nesse primeiro momento da ambígua resistência chinesa, os nacionalistas organizaram-se e, liderados por Chiang Kay-Shek, priorizaram a perseguição aos comunistas, culo crescimento entre os camponeses incomodava o Kuomitang. E,m 1934, fugindo da perseguição, Mao Tsé-Tung e seus seguidores marcharam pelo interior do país, ao norte, percorrendo nove mil quilômetros, em uma das mais conhecidas táticas de guerrilha de todos os tempos, nomeada como Longa Marcha, também conhecida como a Grande Marcha.
A invasão japonesa na Manchúria, região rica em minérios localizada no norte da China, seguida da eclosão da Segunda Guerra mundial, suspendeu os embates entre nacionalistas e comunistas que, em 1937, selaram uma aliança para combater o invasor, pois, apesar das divergências, eles tinham um agressivo inimigo comum.
Enquanto combatiam os japoneses, os comunistas chineses aumentaram consideravelmente seu efetivo militar e territorial, promovendo reformas agrárias nas terras conquistadas e, assim, ganhando cada vez mais o apoio da população, majoritariamente rural. As hostilidades entre comunistas e nacionalistas estavam suspensas, mas Chiang Kay-Shek dava mostras de incomodar-se mais com os avanços das tropas de Mao Tse-Tung e seus companheiros do que com o dos japoneses. Os camponeses, por sua vez, assumiam distintas posturas de guerra. Enquanto Chiang Kay-Shek , conhecedor da inferioridade militar chinesa, não empreendia grandes esforços na resistência aos japoneses, conformando-se em manter algumas áreas longe do domínio nipônico, Mao e seus generais incitavam a população a resistir e a lutar com afinco. Outro fato que contribuiu para a desconfiança camponesa foi ver seus senhores, majoritariamente nacionalistas, selarem acordos com os japoneses, em uma clara colaboração com o invasor. A fama da corrupção nacionalista espalhava-se pela China. Em contrapartida, corriam rumores dos atos de heroísmo comunista, como a Longa Marcha e a forte resistência aos japoneses.
Após o desfecho da Segunda Guerra Mundial, com a rendição japonesa e o enfraquecimento das forças britânicas de ocupação, a aliança conjuntural entre nacionalistas e comunistas se encerrou. Teve início uma guerra civil que perdurou de 1945 atê 1949.
Os comunistas foram vitoriosos e, em 1º de outubro de 1949, na Praça da Paz Celestial, Mao Tse-Tung anunciou a fundação da República Popular da China, uma nação socialista de acordo com a acepção marxista; era o fim de quase 5 mil anos d império. Os nacionalistas , liderados por Chiang Kay-Shek, se deslocaram para a ilha de Taiwan, onde anunciaram a República Nacionalista da China, "Estado" não reconhecido até hoje.
Apesar de a China continental não aceitar a "pseudorrepública". os comunistas priorizaram a organização do novo país. Ademais, para eles seria difícil , naquele momento, vencer os nacionalistas dentro da ilha, que estavam circunscritos a um anel de proteção pelo mar, tornando a logística militar para um ataque à "ilha rebelde" inviável. Essa contenda estende-se aos dias atuais.
O PERÍODO MAO TSE-TUNG
Após séculos, havia na China um poder central e único de fato. Depois de uma rápida reestruturação dentro dos princípios soci alistas, realizaram-se amplas reformas, que tinham como mote central a planificação e estatização da economia. A reforma agrária foi o evento central nas inovações, uma vez que a China era majoritariamente rural. Grandes propriedades foram confiscadas pelo Estado e redistribuídas entre pequenos agricultores. Estimam-se em torno de 300 milhões o número dos camponeses contemplados com módicas áreas - a maior reforma agrária da história. Posteriormente, seriam instituídas cooperativas agrícolas, as comunas, aumentando a produção do campo.
A estatização atingiu companhias , bancos, meios de comunicação e demais setores. Também na área de infraestrutura houve forte investimento em desenvolvimento: construção em larga escala de estradas de ferro, usinas hidrelétricas e diques. Na primeira etapa da gestão de Mao Tsé-Tung, foram criados 24 ministérios, com base em uma lista de temas prioritários: agricultura, educação, indústria de bens de produção, indústria leve, etc. Assim iniciou-se a fase de planos quinquenais na China.
A industrialização nesse país desenvolveu-se a partir da Revolução Chinesa, concentrando-se na Manchúria, onde já existia uma indústria embrionária. No plano político, a china estreitou laços com a União soviética, apesar do incômodo que Mao causava em Stálin, sendo exatamente essa postura que provocou os primeiros atritos entre os dois países. É bem verdade que, apesar de aliados circunstanciais, Mao e Stálin há décadas divergiam sobre a "revolução do proletariado". os dois líderes estavam mais interessados em defender as tradições históricas de seus países do que com afinidades ideológicas. Mesmo contrariado, Stálin apoiou a causa chinesa, mais do que queria e menos que podia. Enviou técnicos e burocratas para subsidiar a reconstrução da China. Um Tratado de Aliança foi assinado em 1950 e a união Soviética estendeu à China um programa de financiamento.
Geografia em Rede, 3º ano , 2016.
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