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quarta-feira, 30 de abril de 2025

RELAÇÕES INTERNACIONAIS



Chamamos de sistema internacional o conjunto de Estados existentes. Os estados estão organizados em territórios delimitados por fronteiras, onde exercem soberania e não obedecem a nenhuma instância de poder. 

No âmbito externo às fronteiras dos Estados, não existe uma entidade soberana que detenha o monopólio do poder mundial, uma única voz que se projete sobre o sistema internacional.

Muitos atribuem à Organização das nações Unidas (ONU) esse papel, mas é um equívoco, pois, como veremos a seguir, a função e os objetivos da ONU são de outra ordem, muito embora a entidade seja importantíssima na manutenção da paz mundial. Como todo Estado é soberano no interior de suas fronteiras, a ONU ,  em tese, não pode, inclusive, optar por não pertencer à Organização, como foi até há alguns anos o caso da Suíça, que aderiu à ONU apenas em 2002.

Uma vez que não há uma entidade soberana que exerça o domínio sobre o poder mundial, torna-se necessário que os Estados busquem a coexistência pacífica para que possam conviver harmoniosamente dentro do sistema. Essa necessidade de convivência em uma sociedade global deu origem ao termo comunidade internacional, tão difundido na mídia. No entanto, nem sempre se alcança êxito na busca da coexistência pacífica; surgem, então, as guerras.


         A atual concepção de Estado moderno originou-se entre os séculos XVI e XVII, na Europa, quando foram estabelecidos os primeiros Estados soberanos, representando um povo específico sobre um território delimitado. Esses estados passaram a ter o contato entre si, a se relacionar. No ano de 1648, com a assinatura do Tratado de Westphália, também conhecido como Paz de Westphália, nascia o sistema interestatal, de limites entre os Estados. A Igreja e os impérios começaram a si enfraquecer. Surgia uma nova forma de organização espacial de poder político. Esse tratado trazia consigo a concepção do estado territorial, ou seja, um novo tipo de Estado, o Estado moderno, que passou a ter territórios demarcados por fronteiras definidas e governos desvinculador do poder da Igreja. Surgiu a noção de país.
          O sistema territorial contemporâneo é marcado por uma forte interdependência entre os Estados, particularmente em questões de economia num mundo em que o mercado global assume proporções antes jamais vistas. Além dos Estados, o sistema internacional é formado por uma série de organismos internacionais, como o Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional (FMI), Organização Mundial do Comércio (OMC), Organização Mundial do Comércio (OCDE), entre outros.
          Não há uma interpretação unânime quanto ao atual estágio de interação que assumiu a comunidade internacional. Para alguns estudiosos, o grau de dependência econômica que caracteriza os Estados é algo positivo, pois permite o aumento de riquezas e dá uma forte dimensão de liberdade e conectividade entre os povos, quando se pretende maximizar as relações comerciais em busca da produtividade e eficiência. Trata-se de uma perspectiva fundamentalmente liberal.
         Outros, no entanto, entendem que tal relação de interdependência é negativa , pois acentua a diferença entre os países, aumentando o fosso da desigualdade, uma vez que há uma clara relação de exploração dos países pobres pelos ricos nas trocas comerciais.
         No estudo das relações Internacionais há correntes teóricas que entendem o sistema internacional de forma distinta , entre as quais se destacam duas escolas. A realista tem uma interpretação hobbesiana do sistema internacional, ou seja, entende-o como um campo conflituoso no qual as relações não permitem maiores cooperações entre os Estados, uma vez que estão sempre em busca de poder. Nessa perspectiva, todo Estado tem dois objetivos.: primeiro, a autodefesa, ou seja, garantir a sobrevivência; segundo, sobrepor-se aos demais Estados. Essa escola advoga a tese de que o sistema internacional traz em sua natureza uma perspectiva anárquica.
         Já a escola neoliberal entende o sistema internacional como passível de cooperação entre os Estados, em que o aspecto econômico pode preponderar sobre o político-militar. Ou seja, os neoliberais tem uma perspectiva cooperativa do sistema internacional, ao passo que os realistas entendem como em permanente conflito.
          Este é o debate vigente nas relações internacionais: um mundo que flutua entre a guerra e a paz, entre o conflito e a cooperação.
            Vimos, portanto , que o sistema internacional é um agrupamento de entidades, politicas independentes, os Estados. E, para melhor compreendermos como se dão essas relações internacionais, precisamos conhecerem pouco mais sobre o Estado - categoria política central das ciências humanas.

O ESTADO

     O Estado é o organismo político máximo de uma sociedade, a base de qualquer organização social. Nos dias atuais , a maioria das sociedades está organizada em torno do estado, que são unidades políticas, territoriais e autônomas que contemplas praticamente toda a população mundial. Todos nós estamos inseridos e ligados a um Estado, chamamos de país, do qual somos cidadãos. Os Estados têm o monopólio do poder político no interior de suas fronteiras, pois são unidades soberanas e autoridade máxima. Talvez você não perceba, mas o seu dia a dia obedece a um conjunto de regras estabelecidas por esse agente político.
     Há ao menos cinco valores básicos e imprescindíveis que o estado deve defender e garantir: ordem, segurança, liberdade, justiça e bem-estar. Por exemplo, a sociedade espera que o estado cumpra a função de assegurar a segurança interna e externa. Internamente, o estado deve impor leis garantidoras da segurança,pois, senão, pode ocorrer barbárie. No plano exterior , vivemos em um mundo formado por Estados armados e há risco de uma eventual ameaça externa. A maioria dos países apresenta um comportamento pacífico e amigável no sentido de coexistência perante os demais, mas o passado e o presente estão repletos de exemplos no sentido oposto.
     O Estado tornou-se categoria teórica central das ciências humanas. Ele está no centro de obras clássicas dos filósofos políticos , como O Príncipe, de Maquiavel, O Leviatã, de Hobbes, ou O Contrato Social, de Rossseau. Uma das vertentes da Geografia, a geopolítica, foi concebida a partir do Estado.
     A origem do Estado moderno está na Europa, particularmente na Revolução Francesa(1789), embora as primeiras manifestações de formação estatal tenham ocorrido antes. Posteriormente, esse tipo de organização social e política se tornou hegemônico em todo o mundo. Nessa discussão, três são as categorias políticas que caminham indissociavelmente ligadas: Estado, nação e território.
     Apesar de encontrarmos nas civilizações grega e romana as primeiras nuances de Estado ocidental, quando surgiram as primeiras expressões da política como democracia, república, senado ou tirania, é na transição do feudalismo para o capitalismo durante os séculos XIII e XIV que encontramos um delineamento mais claro da formação dos Estados que perdura até os dias atuais. A passagem do sistema feudal para o absolutismo mercantil rompeu com a fragmentação territorial de até então, dando origem ao Estado territorial, delimitado por fronteiras. O marco que consolida o Estado são as revoluções burguesas, particularmente a Francesa, que originaram uma nova noção de soberania, catalisada na figura do estado, esse instrumento da sociedade. Cai a imagem do Estado absolutista sintetizado na máxima de Luís XIV, "O Estado sou eu", e ascende o Estado burguês.

       Há interpretações diferentes sobre o papel do estado no conjunto da sociedade. muitos o veem como o elo da nação e dão a ele um sentido patriótico.Para outros, o o Estado tem função administrativa: cuidar do bem-estar, como a previdência e a saúde, por exemplo.Já numa terceira dimensão, é visto como colaborador de leis e zelo da ordem. Na prática, o Estado se incumbe simultaneamente de todas essas situações, pois detém o poder político e garante a ordem, uma vez que define a  inquestionabilidade do sistema.

         É importante observar a diferença entre Estado e governo, conceitos próximos e que geram certa confusão. Existem inúmeras discussões e definições teóricas sobre isso, mas podemos afirmar que o Estado é a estrutura de poder e representa um povo que habita em um território, enquanto governo é o grupo de pessoas que está temporariamente administrando o Estado. Numa democracia, o governo é eleito para administrar o Estado, normalmente por meio de eleições na quais as pessoas que pretendem governar se organizam em partidos políticos para fazê-lo. Pressupõe-se, portanto, que o governo seja passageiro, transitório, podendo ou não ser reeleito e permanecer mais tempo à frente do Estado. Num regime totalitário, é comum o governo perpetuar-se à frente do Estado.

         O Estado pode organizar-se como regime monárquico, como no Reino Unido e na Espanha, que são monarquias parlamentares. A outra possibilidade é a república; nesse caso, pode ser uma república presidencialista, como no Brasil e estados Unidos, ou república parlamentarista, como França e Israel.Reis e presidentes são comumente chefes de Estado, enquanto primeiros-ministros são chefes de governo; no presidencialismo, o presidente é chefe de estado e de governo. As opções de regimes e sistemas variam de país para país.

Em todas as sociedades, ter o controle do estado é ter o poder. Logo, quando um grupo de pessoas ou um segmento da sociedade se instala no estado, dá as diretrizes e dita a condução da sociedade por meio das várias funções do Estado. Igualmente, o Estado tem conotação de poder econômico por ser responsável pela construção das principais infraestruturas do país. O mesmo vale para o perfil ideológico, uma vez que por meio do Estado realiza-se a construção do tecido social.

ESTADO E NAÇÃO
         O historiador Eric Hobsbawm, um dos maiores estudiosos sobre os significados do terno "nação", reconhece a dificuldade em definí-lo. Segundo ele, nação é um conjunto de indivíduos que se reconhecem como tal e se veem como "nós", sabendo identificar quem são os que não pertencem ao grupo, o "eles". A língua, a etnia, a história comum, a religião, entre outros elementos, propiciam a construção de uma identidade.
        
         Os últimos trinta anos forma marcados por um paradoxo: ao mesmo tempo em que a globalização anuncia certa homogeneização do espaço geográfico por meio da integração econômica, fortes movimentos nacionalistas afloraram e culminaram em separatismos. Europa e Ásia concentram as ocorrências mais violentas. E é exatamente no território em que o antagonismo se materializa, num embate entre a globalização que procura a homogeneização e o nacionalismo que tende à fragmentação.
 




FONTE: Geografia em Rede, Edilson Adão e Laercio Furquim Jr. Vol. Único, parte III.

O QUE DIZER

  o que quero dizer com isso  é perdi tantos e tantos anos da  minha vida estando muito exausta/ cansada de fome/ deprimida/ triste demais p...