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sábado, 12 de julho de 2025

INDÚSTRIA MUNDIAL

 



1- AS REVOLUÇÕES INDUSTRIAIS

     Não é fácil datar a Revolução industrial. Embora o uso de algumas manufaturas a vapor para bombeamento de água em minas seja observado no começo do século XVIII, é a partir da segunda metade do século que a Revolução Industrial tornou-se mais perceptível. Desde que se iniciou, o processo é contínuo e desenvolve-se até os dias atuais, marcados por uma dinâmica renovação tecnológica. Dividimos em três estágios, cada um contemplando e aprimorando o outro.

     A Revolução Industrial foi mais visível na Inglaterra, no final do século XVIII. A substituição do trabalho manual pela maquinofatura e a das ferramentas por máquinas do setor fabril marcaram o início do período. A  invenção de uma sofisticada máquina a vapor para a época, por James Watt, em 1768, também foi importante para esse conjunto de mudanças que se expandia. O setor têxtil foi o primeiro a incorporar  as máquinas no processo de produção, seguido pelo setor de transportes (locomotivas e navios), que igualmente passou a incorporar o vapor como força motriz: era a revolução das comunicações terrestres e marítimas.

     A substituição de energia humana e de tração animal por uma força motriz, movida em primeiro momento pela energia hidráulica e, em segundo momento, pelo carvão, também marcou esse primeira etapa, pois trouxe novos contornos ao capitalismo.



     A transformação de um sistema de produção domiciliar têxtil para a produção fabril não poderia ter ocorrido sem implicações políticas e conflitos culturais. A nova organização da produção exigia disciplina de horários e supervisão, seguidos por uma divisão de funções. Era uma grande mudança na cultura do século XVIII. As sucessivas ondas de inovações técnicas pautariam os anos vindouros.

     No fina do século XIX e início do século XX, iniciou-se a Segunda Revolução Industrial com o advento da eletricidade e do petróleo como novos ingredientes energéticos, redimensionando a dinâmica industrial, que se tornaria bem mais complexa que a primeira revolução.  Surgem os primeiros altos-fornos e as siderúrgicas, as indústrias químicas e o setor metalúrgico e as máquinas laminadoras produtoras de chapas de alumínio, níquel e cobre. A Inglaterra nessa fase perde a vanguarda da indústria para novos centros, como Alemanha, França e  Estados Unidos.

     O final do século XIX testemunhou a invenção do telefone e dos primeiros sinais do rádio; alguns anos depois, já no começo do século XX, vieram os primeiros aviões, o automóvel, o elevador, a geladeira, entre outros novos engenhos, produtos dessa nova fase da Revolução Industrial.

     A Terceira Revolução Industrial data da segunda metade do século XX (período do pós-guerra) e é caracterizada pela incorporação científica ao processo industrial. Estendida aos demais setores além da própria indústria, como comunicações e serviços, também é denominada Revolução Pós-industrial.]

     Essa fase foi marcada pela Guerra Fria ( 1945-1991), e abusca pela hegemonia geopolítica forçava os Estados Unidos e a União Soviética  a uma corrida tecnológica em setores estratégicos, como o espacial, o militar e o atômico, o que impulsionou o desenvolvimento industrial. Foi nessa fase que aconteceu a corrida espacial e iniciou o desenvolvimento de satélites, aviões propulsores, sistemas de radares e energia nuclear, alem de serem registrados os primórdios da informática e da internet, o aprimoramento da indústria química, como os variados tipos de plásticos, a robótica e a biotecnologia. 

MODELOS DE PRODUÇÃO

     Desde o advento da primeira Revolução Industrial, empresários e industriais preocuparam-se em racionalizar a produção, visando tirar melhor proveito do tempo e da função do trabalhador. Algumas das formas de aumentar a produtividade foram o taylorismo, o fordismo e o toyotismo.

TAYLORISMO

O taylorismo, também conhecido como administração científica, é um sistema de organização do trabalho focado na eficiência, desenvolvido por Frederick Winslow Taylor no início do século XXEle propõe a divisão do trabalho em tarefas simples e repetitivas, a padronização de métodos e a supervisão rigorosa, com o objetivo de aumentar a produtividade. 
Principais características do taylorismo:
  • Divisão do trabalho:
    O trabalho é dividido em tarefas simples e repetitivas, cada trabalhador executa uma única função. 
  • Especialização:
    Cada trabalhador se especializa em uma tarefa específica, o que aumenta a eficiência. 
  • Padronização:
    Métodos de trabalho são padronizados para garantir eficiência e uniformidade. 
  • Monitoramento:
    Os trabalhadores são supervisionados de perto para garantir que sigam os padrões estabelecidos. 
  • Remuneração por produção:
    O salário é frequentemente baseado na produção, incentivando os trabalhadores a serem mais eficientes. 
Críticas ao taylorismo:
  • Desumanização do trabalho:
    A divisão do trabalho pode levar à monotonia e à perda de sentido no trabalho. 
  • Expropriação do conhecimento:
    O conhecimento sobre o processo produtivo é centralizado na gerência, afastando os trabalhadores da tomada de decisão. 
  • Dificuldade de adaptação:
    O taylorismo pode ser inflexível e ter dificuldades em se adaptar a mudanças no mercado. 
Influência do taylorismo:
O taylorismo teve uma grande influência no desenvolvimento da produção em massa, especialmente no contexto do Fordismo. Embora muitas de suas características tenham sido criticadas e superadas, alguns princípios do taylorismo ainda são aplicados em algumas áreas, buscando otimizar a eficiência e a produtividade. 

   FORDISMO

  O Fordismo foi um sistema de produção em massa criado por Henry Ford, fundador da Ford Motor Company, em 1914, com o objetivo de reduzir o tempo e custo de produção de veículosCaracterizado pela linha de montagem e especialização do trabalho, o Fordismo revolucionou a indústria automobilística e se tornou um modelo para outras indústrias. 

Características:
  • Linha de montagem:
    As peças eram transportadas por esteiras rolantes, e cada trabalhador realizava uma tarefa específica, otimizando o processo produtivo. 
  • Especialização do trabalho:
    Os operários eram designados para funções específicas, aumentando a eficiência e a velocidade da produção. 
  • Produção em massa:
    O Fordismo visava a fabricação de grandes quantidades de produtos padronizados, com foco na redução de custos. 
  • Automatização:
    A introdução de máquinas e equipamentos agilizou o processo produtivo e reduziu a necessidade de mão de obra manual. 
  • Trabalho repetitivo:
    A especialização e a linha de montagem levaram a trabalhos repetitivos e monótonos para os operários. 
Vantagens:
  • Redução de custos:
    A produção em massa e a eficiência da linha de montagem reduziram os custos de produção.
  • Aumento da produtividade:
    A especialização e a automatização aumentaram a capacidade de produção.
  • Disponibilidade de produtos:
    A produção em massa tornou os produtos mais acessíveis para um número maior de pessoas. 
Desvantagens:
  • Trabalho repetitivo e monótono:
    A especialização excessiva levou a trabalhos repetitivos e pouco estimulantes para os operários.
  • Baixa qualificação:
    Os trabalhadores eram especializados em tarefas específicas, o que limitava sua capacidade de aprender novas habilidades.
  • Crises:
    O Fordismo enfrentou crises devido à sua rigidez e à dificuldade de se adaptar às mudanças no mercado. 
Declínio:
A partir da década de 1970, o Fordismo começou a entrar em declínio, devido a fatores como: 
  • Crises do petróleo: Aumento dos custos de produção devido à alta no preço do petróleo. 
  • Surgimento do Toyotismo: O sistema de produção japonês, mais flexível e adaptado às demandas do mercado, ganhou destaque. 
  • Mudanças no mercado: As demandas por produtos mais diversificados e personalizados cresceram, o que dificultou a produção em massa do Fordismo. 
Em resumo, o Fordismo foi um sistema de produção que revolucionou a indústria, mas que enfrentou desafios e foi gradualmente substituído por modelos mais flexíveis e adaptados às novas demandas do mercado. 

   TOYOTISMO

 O toyotismo é um sistema de produção industrial que surgiu no Japão, na década de 1970, e se tornou uma alternativa ao fordismoEle se destaca pela produção sob demanda, conhecida como just-in-time, buscando eliminar estoques excessivos e otimizar recursos, resultando em maior flexibilidade e eficiência. 

Características principais do toyotismo:
  • Produção sob demanda (just-in-time):
    A produção é realizada conforme a demanda do mercado, evitando o acúmulo de estoque. 
  • Redução de desperdícios:
    O foco na eficiência leva à eliminação de perdas em todas as etapas do processo produtivo. 
  • Flexibilidade:
    O sistema permite adaptação rápida às variações da demanda e diversificação de produtos. 
  • Melhoria contínua (Kaizen):
    O toyotismo busca constantemente aprimorar os processos produtivos através da participação dos trabalhadores e da busca por soluções inovadoras. 
  • Trabalho em equipe:
    A valorização do trabalho em equipe e a participação dos funcionários são cruciais para o bom funcionamento do sistema. 
  • Respeito aos trabalhadores:
    O toyotismo busca criar um ambiente de trabalho que valorize o bem-estar e o desenvolvimento dos funcionários. 
Origem e contexto histórico:
O toyotismo surgiu na Toyota, empresa automobilística japonesa, como resposta às necessidades do mercado japonês e como alternativa ao fordismo. O modelo se difundiu mundialmente a partir da década de 1970, impulsionado pelas crises do petróleo e pela necessidade de maior eficiência e flexibilidade produtiva. 
Diferenças em relação ao fordismo:
  • Enquanto o fordismo priorizava a produção em massa e o acúmulo de estoques, o toyotismo busca a produção sob demanda e a redução de estoques. 
  • O fordismo era caracterizado pela rigidez e pela divisão do trabalho, enquanto o toyotismo valoriza a flexibilidade e a participação dos trabalhadores. 
  • O toyotismo busca a melhoria contínua dos processos, enquanto o fordismo era mais rígido em relação às mudanças. 


Tipos de Indústria

Dá-se o nome de indústria ao conjunto de atividades que transformam a matéria-prima em mercadoria. Em sentido mais amplo, concebemos indústrias por três meios: artesanato, que tem como base intensa atividade manual de artesão, manufatura, como emprego de máquinas simples e ferramentas, mas igualmente com manipulação manual; e a maquinofatura, ou seja, a introdução das máquinas no processo produtivo, prática implementada a partir da primeira Revolução Industrial. Chamamos a indústria moderna de indústria de transformação por ser caracterizada pelo uso intenso de maquinofatura.

Há vários critérios para classificar uma indústria, mas o mais usual é aquele que de acordo com o tipo de produção. assim, podemos classificar a indústria de transformação em:

Industria de Bens de Produção: Também chamada de indústria de base, são enquadradas nesse setor as siderúrgicas, as metalúrgicas, os setores petroquímicos e ferreiro, o cimento, entre outros. Em geral, transformam grande volume de matéria-prima em insumos industriais, como o aço ou laminado. São as indústrias que abastecem outras indústrias, ou seja, não têm a sociedade civil como compradora de seus produtos, e sim outras empresas.

Indústria de bens de capital: Também chamada de Bens intermediários, a finalidade dessas indústrias é produzir máquinas e equipamentos para as demais, como a indústria mecânica ou de autopeças. Localiza-se, normalmente próximas aos grandes centros de consumo.

Indústria de Bens de Consumo: Atende diretamente a sociedade civil e é subdividida em:

Bens de consumo duráveis: produz gêneros de longa durabilidade, como indústria automobilística e eletrônica.

Bens de consumo não-duráveis: produz gêneros de vida útil curta, como o setor de alimentos, têxteis, bebidas, entre outros.


Podemos classificar as indústrias de acordo com o grau de uso tecnológico. Nessa classificação, temos as indústrias tradicionais com baixa tecnologia e forte contingente de mão-de-obra, como o setor de bebidas, as dinâmicas, com tecnologia avançada e alta qualificação de mão de obra, como a robótica ou microeletrônica.

GEOGRAFIA EM REDE, 2º ano , 2016.

     

     


O QUE DIZER

  o que quero dizer com isso  é perdi tantos e tantos anos da  minha vida estando muito exausta/ cansada de fome/ deprimida/ triste demais p...