1- A NATUREZA ATMOSFÉRICA
O conhecimento dos mecanismos climáticos é relativamente recente: as primeiras observações, aferições e registros das temperaturas e precipitações iniciaram-se oficialmente em 1840, com a criação do Observatório Real de Greenwich, em Londres. Antes disso havia apenas deduções.
De origem grega, a palavra clima significa inclinação, referência à curvatura e à inclinação do eixo da Terra, que fazem os raios incidirem desigualmente sobre o planeta. É essa inclinação que determina o nível de insolação dos raios solares na superfície terrestre e, por conseguinte, define as estações do ano, juntamente com o movimento de translação. Os raios incidem de maneira diferente nas baixas, médias e altas latitudes.
Tornou-se lugar-comum, ultimamente, sobretudo nos meios de comunicação, certa ênfase quanto às alterações climáticas. É preciso tomar cuidado com exageros e analisar criteriosamente tais "alterações", levando sempre em consideração que o clima é cíclico. Para isso, devemos partir da seguinte premissa: o que não é normal na natureza é a constância do tempo; um ano nunca é igual ao outro em termos de tempo.
A ATMOSFERA
O primeiro passa a ser dado quando estudamos Climatologia é diferenciar tempo e clima. Tempo é o estado momentâneo da atmosfera de um lugar específico; clima é a sucessão de vários estados de temperatura. Enquanto o tempo é circunstancial, a escala temporal climática é bastante ampla; só se define o clima de uma determinada área após pelo menos 30 anos de observação. É a variação dos diversos estágios de tempo que define o clima. O tempo pode variar ao longo do dia, enquanto o clima, somente ao longo de décadas ou séculos. em um uma região tropical, por exemplo, podemos ter circunstancialmente um tempo frio, e o mesmo vale para uma região equatorial úmida, que pode apresentar , por certo período, dias secos.
Para compreendermos o clima precisamos antes entender a atmosfera (do grego, esfera de vapor), a camada de ar que envolve a Terra e que é formada por uma série de gases, destacando-se o oxigênio e o nitrogênio, que, juntos, compõem 99% dela.
Toda radiação solar, antes de chegar à superfície terrestre, precisa atravessar a atmosfera. Esta, por sua vez, é composta por quatro camadas:
Troposfera: é a camada da atmosfera mais baixa, próxima à crosta terrestre, e que envolve diretamente os seres vivos. É nessa camada que ocorrem os fenômenos de evaporação e precipitação. Compreende quase 80% da densidade da atmosfera, apesar de ser a camada mais fina.
Estratosfera: é a camada térmica da atmosfera, onde se verifica um aumento de temperatura e que alcança quase 50 Km de altitude. É nessa camada que se encontra o ozônio (O³), o filtro natural da Terra, que absorve os raios ultravioleta, nocivos à nossa saúde.
Mesosfera:essa camada começa aproximadamente a 50 Km de altitude e se estende até a ionosfera. A temperatura a partir dessa camada diminui consideravelmente em razão da altitude, podendo atingir até 130° C negativos.
Termosfera : é uma camada da atmosfera terrestre que se estende acima da mesosfera, caracterizada por um aumento contínuo da temperatura com a altitude. É nesta camada que se localizam a Estação Espacial Internacional e vários satélites, além de ocorrerem as auroras boreais e austrais.
A termosfera varia em espessura, geralmente entre 80 e 500 km de altitude, podendo chegar a 800 km ou mais, dependendo da atividade solar.Ionosfera: acima de 85 Km até mil. É na verdade, uma zona de transição entre a Terra e o cosmos. Na ionosfera ocorre exatamente o oposto da mesosfera: a temperatura eleva-se abruptamente em razão da intensa radiação solar e pode atingir 1500° C.
Fonte: Geografia em Rede, 1º ano, 2016.