Em 2008, pela primeira vez na história, foi verificado que mais da metade da população mundial vive em cidades. Segundo um estudo de 2015 realizado pela ONU, estima-se que 66% da população mundial viverá em áreas urbanas em 2050.
O atual crescimento urbano ocorre tanto pelo aumento do crescimento vegetativo como pela migração campo-cidade, que já ocorre há muito tempo, e que agora se intensifica. Ente outros motivos, um parece de grande peso: 75% da pobreza se localiza em áreas rurais, sobretudo nos países mais pobres, onde vivem cerca de 80% da população mundial. Obviamente, também há riqueza no campo, mas se concentra nas mãos de poucos. Nas cidades não é diferente. A riqueza se concentra nas mãos de uma minoria. mas é nela que os fluxos de capitais ocorrem com maior intensidade e a maior parte da riqueza se materializa, em forma de construções, empregos, consumo. Isso acontece com bem menos intensidade nas áreas agrícolas, embora elas estejam cada vez mais interdependentes e inter-relacionadas às urbanas.
Os países mais pobres, localizados principalmente na África Subsaariana, são essencialmente agrícolas. Em países em desenvolvimento, como no norte da África, e também em outras partes do mundo, principalmente no sul da Ásia, com a proeminente presença da China e Índia, a grande maioria dos pobres reside em áreas rurais. Nos países urbanizados, a maioria dos quais localizadas na América do Norte e na Europa Ocidental e também no norte da Ásia, as maiores taxas de pobreza são registradas em áreas rurais, embora uma parcela dos pobres viva em áreas urbanas.
Mesmo com a marca histórica de urbanização do planeta, o estudo chamado Perspectivas da urbanização mundial, elaborado pela Divisão de População das nações Unidas em 2015, indica que o crescimento da população urbana e rural no mundo continuará aumentando e ainda de maneira desequilibrada entre as regiões do mundo.
Na década de 1950, a maioria da população dos países europeus , dos estados Unidos, do Canadá e da Austrália residia em cidades. Nesses países se localizam as regiões mais industrializadas do mundo. No século XXI, o aumento da urbanização mão está mais tão relacionado às áreas mais industrializadas. Ele se mostra mais intenso na Ásia e na África, continentes menos industrializados.
DESIGUALDADE E SUSTENTABILIDADE SOCIOESPACIAL URBANA
Enquanto em alguns centros urbanos as desigualdades socioespaciais mostram sinais de diminuição, em outros começam a mostrar sua face. Mas, quando se afirma que está ocorrendo diminuição das desigualdades, é preciso cautela. Isso não acontece de forma homogênea nem em todos os lugares. E há lugares em que está ocorrendo justamente o contrário: o aumento das desigualdades. O fato é que , no período atual, as desigualdades socioespaciais atingem a todos, nos países ricos e nos países pobres.
Nos países pobres ou em desenvolvimento, poucas cidades, ou apenas uma grande cidade, assumiram as funções de metrópole nacional. Outras grandes cidades, embora também tenham se tornado metrópoles, têm de recorrer à metrópole nacional. No Brasil, criaram-se polos regionais, com intenso desenvolvimento urbano centralizado em são paulo, não surgindo outros centros urbanos com desenvolvimento tão acelerado como o dessa cidade. Isso direcionou todo o fluxo migratório para o Sudeste, principalmente para são Paulo e rio de Janeiro, criando um desiquilíbrio regional e urbano no país.
Nos países ricos e desenvolvidos, as atividades de mais alto nível se distribuem entre diversas grandes cidades. O conjunto dessa atividades não é monopolizado, concentrado em uma só aglomeração. Em alguns desses países, como os Estados Unidos, várias metrópoles dividem entre si a tarefa de comendar a produção do país. Nos países desenvolvidos, a rede urbana se constituiu de forma menos concentrada espacialmente do que nos países pobres ou em desenvolvimento. os núcleo urbanos se desenvolveram por várias regiões do território interligadas às áreas agrícolas, permitindo um equilíbrio maior na distribuição da população entre a cidade e o campo, tendo menor êxodo rural que os países subdesenvolvidos. nesses países, existe um maior equilíbrio na distribuição espacial das cidades. Mas isso não impediu que neles se formassem algumas das maiores aglomerações urbanas do planeta.
Países ricos e mais urbanizados mostram sinais de que problemas outrora somente relacionados aos países pobres também passam a afetá-los. Entre eles, falta de emprego, queda de renda, conflitos étnicos, falta de moradia, problemas ambientais e violência urbana. os contrastes urbanos e as contradições sociais agora também são perceptíveis nas grandes cidades de países ricos.
Por outro lado, em países como o Brasil,que apresenta contrastes socioespaciais gritantes, há cidades que começam a pensar em soluções inovadoras para os problemas urbanos.
Além das questões abordadas, outros motivos que ajudam a explicar a tendência de diminuição no ritmo de crescimento urbano, em termos mundiais, podem ser relacionados a questões de sustentabilidade do planeta. A vida urbana requer um altíssimo consumo de energia e abastecimento e maior intensidade de transformação da natureza. Cada vez mais se buscam políticas ambientalmente sustentáveis para a vida nas cidades.
Mas a sustentabilidade urbana deve ser realizada como política pública, atingindo todas as classes sociais, todos os cidadãos. Isso significa que todos têm direito às conquistas e às soluções inovadoras urbanísticas e ambientais.
Como as cidades ainda são o centro por excelência de concentração e reprodução de capital, da modernidade, muitas das experiências inovadoras do ponto de vista ambiental são reservadas às cidades mais abastadas economicamente, como a construção de prédios inteligentes e ambientalmente sustentáveis.
Fonte:
História das cidades- Chate GBT
Geografia em Rede, 2º ano , 2016.
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