1- AS REVOLUÇÕES INDUSTRIAIS
Não é fácil datar a Revolução industrial. Embora o uso de algumas manufaturas a vapor para bombeamento de água em minas seja observado no começo do século XVIII, é a partir da segunda metade do século que a Revolução Industrial tornou-se mais perceptível. Desde que se iniciou, o processo é contínuo e desenvolve-se até os dias atuais, marcados por uma dinâmica renovação tecnológica. Dividimos em três estágios, cada um contemplando e aprimorando o outro.
A Revolução Industrial foi mais visível na Inglaterra, no final do século XVIII. A substituição do trabalho manual pela maquinofatura e a das ferramentas por máquinas do setor fabril marcaram o início do período. A invenção de uma sofisticada máquina a vapor para a época, por James Watt, em 1768, também foi importante para esse conjunto de mudanças que se expandia. O setor têxtil foi o primeiro a incorporar as máquinas no processo de produção, seguido pelo setor de transportes (locomotivas e navios), que igualmente passou a incorporar o vapor como força motriz: era a revolução das comunicações terrestres e marítimas.
A substituição de energia humana e de tração animal por uma força motriz, movida em primeiro momento pela energia hidráulica e, em segundo momento, pelo carvão, também marcou esse primeira etapa, pois trouxe novos contornos ao capitalismo.
A transformação de um sistema de produção domiciliar têxtil para a produção fabril não poderia ter ocorrido sem implicações políticas e conflitos culturais. A nova organização da produção exigia disciplina de horários e supervisão, seguidos por uma divisão de funções. Era uma grande mudança na cultura do século XVIII. As sucessivas ondas de inovações técnicas pautariam os anos vindouros.
No fina do século XIX e início do século XX, iniciou-se a Segunda Revolução Industrial com o advento da eletricidade e do petróleo como novos ingredientes energéticos, redimensionando a dinâmica industrial, que se tornaria bem mais complexa que a primeira revolução. Surgem os primeiros altos-fornos e as siderúrgicas, as indústrias químicas e o setor metalúrgico e as máquinas laminadoras produtoras de chapas de alumínio, níquel e cobre. A Inglaterra nessa fase perde a vanguarda da indústria para novos centros, como Alemanha, França e Estados Unidos.
O final do século XIX testemunhou a invenção do telefone e dos primeiros sinais do rádio; alguns anos depois, já no começo do século XX, vieram os primeiros aviões, o automóvel, o elevador, a geladeira, entre outros novos engenhos, produtos dessa nova fase da Revolução Industrial.
A Terceira Revolução Industrial data da segunda metade do século XX (período do pós-guerra) e é caracterizada pela incorporação científica ao processo industrial. Estendida aos demais setores além da própria indústria, como comunicações e serviços, também é denominada Revolução Pós-industrial.]
Essa fase foi marcada pela Guerra Fria ( 1945-1991), e abusca pela hegemonia geopolítica forçava os Estados Unidos e a União Soviética a uma corrida tecnológica em setores estratégicos, como o espacial, o militar e o atômico, o que impulsionou o desenvolvimento industrial. Foi nessa fase que aconteceu a corrida espacial e iniciou o desenvolvimento de satélites, aviões propulsores, sistemas de radares e energia nuclear, alem de serem registrados os primórdios da informática e da internet, o aprimoramento da indústria química, como os variados tipos de plásticos, a robótica e a biotecnologia.
MODELOS DE PRODUÇÃO
Desde o advento da primeira Revolução Industrial, empresários e industriais preocuparam-se em racionalizar a produção, visando tirar melhor proveito do tempo e da função do trabalhador. Algumas das formas de aumentar a produtividade foram o taylorismo, o fordismo e o toyotismo.
TAYLORISMO
- O trabalho é dividido em tarefas simples e repetitivas, cada trabalhador executa uma única função.
- Cada trabalhador se especializa em uma tarefa específica, o que aumenta a eficiência.
- Métodos de trabalho são padronizados para garantir eficiência e uniformidade.
- Os trabalhadores são supervisionados de perto para garantir que sigam os padrões estabelecidos.
- O salário é frequentemente baseado na produção, incentivando os trabalhadores a serem mais eficientes.
- A divisão do trabalho pode levar à monotonia e à perda de sentido no trabalho.
- O conhecimento sobre o processo produtivo é centralizado na gerência, afastando os trabalhadores da tomada de decisão.
- O taylorismo pode ser inflexível e ter dificuldades em se adaptar a mudanças no mercado.
FORDISMO
O Fordismo foi um sistema de produção em massa criado por Henry Ford, fundador da Ford Motor Company, em 1914, com o objetivo de reduzir o tempo e custo de produção de veículos. Caracterizado pela linha de montagem e especialização do trabalho, o Fordismo revolucionou a indústria automobilística e se tornou um modelo para outras indústrias.
- As peças eram transportadas por esteiras rolantes, e cada trabalhador realizava uma tarefa específica, otimizando o processo produtivo.
- Os operários eram designados para funções específicas, aumentando a eficiência e a velocidade da produção.
- O Fordismo visava a fabricação de grandes quantidades de produtos padronizados, com foco na redução de custos.
- A introdução de máquinas e equipamentos agilizou o processo produtivo e reduziu a necessidade de mão de obra manual.
- A especialização e a linha de montagem levaram a trabalhos repetitivos e monótonos para os operários.
- A produção em massa e a eficiência da linha de montagem reduziram os custos de produção.
- A especialização e a automatização aumentaram a capacidade de produção.
- A produção em massa tornou os produtos mais acessíveis para um número maior de pessoas.
- A especialização excessiva levou a trabalhos repetitivos e pouco estimulantes para os operários.
- Os trabalhadores eram especializados em tarefas específicas, o que limitava sua capacidade de aprender novas habilidades.
- O Fordismo enfrentou crises devido à sua rigidez e à dificuldade de se adaptar às mudanças no mercado.
- Crises do petróleo: Aumento dos custos de produção devido à alta no preço do petróleo.
- Surgimento do Toyotismo: O sistema de produção japonês, mais flexível e adaptado às demandas do mercado, ganhou destaque.
- Mudanças no mercado: As demandas por produtos mais diversificados e personalizados cresceram, o que dificultou a produção em massa do Fordismo.
TOYOTISMO
O toyotismo é um sistema de produção industrial que surgiu no Japão, na década de 1970, e se tornou uma alternativa ao fordismo. Ele se destaca pela produção sob demanda, conhecida como just-in-time, buscando eliminar estoques excessivos e otimizar recursos, resultando em maior flexibilidade e eficiência.
- A produção é realizada conforme a demanda do mercado, evitando o acúmulo de estoque.
- O foco na eficiência leva à eliminação de perdas em todas as etapas do processo produtivo.
- O sistema permite adaptação rápida às variações da demanda e diversificação de produtos.
- O toyotismo busca constantemente aprimorar os processos produtivos através da participação dos trabalhadores e da busca por soluções inovadoras.
- A valorização do trabalho em equipe e a participação dos funcionários são cruciais para o bom funcionamento do sistema.
- O toyotismo busca criar um ambiente de trabalho que valorize o bem-estar e o desenvolvimento dos funcionários.
- Enquanto o fordismo priorizava a produção em massa e o acúmulo de estoques, o toyotismo busca a produção sob demanda e a redução de estoques.
- O fordismo era caracterizado pela rigidez e pela divisão do trabalho, enquanto o toyotismo valoriza a flexibilidade e a participação dos trabalhadores.
- O toyotismo busca a melhoria contínua dos processos, enquanto o fordismo era mais rígido em relação às mudanças.
Tipos de Indústria
Dá-se o nome de indústria ao conjunto de atividades que transformam a matéria-prima em mercadoria. Em sentido mais amplo, concebemos indústrias por três meios: artesanato, que tem como base intensa atividade manual de artesão, manufatura, como emprego de máquinas simples e ferramentas, mas igualmente com manipulação manual; e a maquinofatura, ou seja, a introdução das máquinas no processo produtivo, prática implementada a partir da primeira Revolução Industrial. Chamamos a indústria moderna de indústria de transformação por ser caracterizada pelo uso intenso de maquinofatura.
Há vários critérios para classificar uma indústria, mas o mais usual é aquele que de acordo com o tipo de produção. assim, podemos classificar a indústria de transformação em:
Industria de Bens de Produção: Também chamada de indústria de base, são enquadradas nesse setor as siderúrgicas, as metalúrgicas, os setores petroquímicos e ferreiro, o cimento, entre outros. Em geral, transformam grande volume de matéria-prima em insumos industriais, como o aço ou laminado. São as indústrias que abastecem outras indústrias, ou seja, não têm a sociedade civil como compradora de seus produtos, e sim outras empresas.
Indústria de bens de capital: Também chamada de Bens intermediários, a finalidade dessas indústrias é produzir máquinas e equipamentos para as demais, como a indústria mecânica ou de autopeças. Localiza-se, normalmente próximas aos grandes centros de consumo.
Indústria de Bens de Consumo: Atende diretamente a sociedade civil e é subdividida em:
Bens de consumo duráveis: produz gêneros de longa durabilidade, como indústria automobilística e eletrônica.
Bens de consumo não-duráveis: produz gêneros de vida útil curta, como o setor de alimentos, têxteis, bebidas, entre outros.
Podemos classificar as indústrias de acordo com o grau de uso tecnológico. Nessa classificação, temos as indústrias tradicionais com baixa tecnologia e forte contingente de mão-de-obra, como o setor de bebidas, as dinâmicas, com tecnologia avançada e alta qualificação de mão de obra, como a robótica ou microeletrônica.
GEOGRAFIA EM REDE, 2º ano , 2016.

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